Dois bombeiros terão utilizado documentos falsificados para efectuar transacção de fogos de habitação
Categoria: Acções de combate à corrupção Forma de divulgação: Notas de Imprensa
Divulgação:2005/04/16
Um chefe de primeira, provido em chefe de divisão, e um bombeiro-ajudante do Corpo de Bombeiros, aproveitando-se do seu estatuto e identidade de trabalhadores da Administração Pública, são suspeitos de induzir um comerciante em erro para efectuar uma transacção de fogos de habitação num valor total superior a 10 milhões de patacas. Estes dois funcionários públicos foram detidos, em flagrante delito, pelo pessoal do Comissariado contra a Corrupção, quando estavam a receber o sinal, num valor superior a um milhão de patacas, usando um contrato-promessa de compra e venda alegadamente falsificado e referente aos fogos em causa. O caso foi hoje (dia 16) encaminhado para o Ministério Público.
Anteontem, dia 14, o CCAC recebeu uma denúncia, alegando que um chefe de primeira do Corpo de Bombeiros era suspeito de usar um contrato-promessa de compra e venda falso para comprovar a aquisição de um piso, com seis fracções autónomas, de um edifício ainda em construção no bairro do Fai Chi Kei. Terá proposto a transacção dessas fracções a um comerciante de imóveis, a um preço que ultrapassava 10 milhões de patacas. Segundo o apurado, o referido bombeiro terá repetidamente aproveitado o seu estatuto funcional para obter a confiança do comerciante em causa. Sobre o chefe de primeira recaiem ainda suspeitas de falsificar documentos de venda de habitações, em conluio com o bombeiro-adjudante e usando equipamentos informáticos do CB, com a intenção de enganar o comerciante.
No dia 15, ao anoitecer, os dois bombeiros envolvidos foram ao encontro, como previamente combinado, do comerciante, num estabelecimento de comidas e bebidas na Estrada de Coelho do Amaral, para a assinatura do contrato-promessa de compra e venda presumivelmente falsificado. Quando estavam a receber um cheque de 1,03 milhões de patacas, a título de sinal e caução, foram detidos pelo pessoal do CCAC.
Segundo os resultados da investigação, o referido piso do edifício em construção ainda não foi posto à venda e os seis fogos em causa continuam a ser propriedade da empresa construtora, nunca tendo estado na posse dos suspeitos. No gabinete do bombeiro-ajudante foram descobertos os referidos documentos, alegadamente falsos e respectivos ficheiros informáticos, relativos à transacção das habitações. O chefe de primeira é ainda suspeito de usar meios fraudulentos semelhantes, afirmando ser proprietário de cerca de 100 lugares em parques de estacionamento, parte dos quais já foram vendidos ou estão à venda.
Refira-se que, desde a recepção da queixa à detenção dos dois suspeitos, decorreram menos de 24 horas, sendo este, nos últimos anos, o caso descoberto pelo CCAC no lapso de tempo mais curto.
No decorrer da investigação foi confessada a falsificação de documentos para transacção de imóveis. O caso foi já remetido para o MP.